Não entendia porque é que "desejar" é sinónimo de "procurar". Mas até faz algum sentido, percebe-se. E a verdade é que te procurei, num sentido muito geral e sem saber quem eras. Encontrei-te, quase tropecei em ti. O desejo veio depois, quando não soube interpretar essa vontade crescente, gigante, de te procurar melhor. Quando ainda era tudo feito aos tropeções, sem nenhum conhecimento de causa. Sem nenhum passado que me dissesse quem éramos. Naquela altura bonita em que não era preciso enfiar-te (a ti e a mim) numa categoria apertada, quando eu podia traduzir-te numa palavra começada por A. Hoje ainda fazes parte de tudo. És como um trailer de todos os filmes que vejo, e nos que vivo há sempre um deixa que é tua - que foi tua. Em nada és inocente, em nada deixas de existir. Em tudo o que é escondido. Marcas na pele, botas pretas de cano alto e aquelas músicas que nunca conseguimos partilhar. Não se ama alguém que não ouve a mesma canção.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
quarta-feira, 25 de julho de 2012
ser fraca
AVISO: se nunca ouvi falar deste assunto, ignore tudo o que segue pois a compreensão errada dos factos poderá conduzir a conclusões disparatadas.
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Comecemos pela definição de um dicionário online.
fraco
adjetivo
1. que não tem força; que não tem energia física; débil
2. franzino; sem robustez
3. que não tem força de vontade; que se deixa abater com
facilidade
4. cobarde; pusilânime
5. frouxo; brando
6. pouco consistente; pouco resistente
7. influenciável; pouco firme
8. que erra facilmente
9. que sabe pouco sobre algo; que não domina um assunto
ou matéria
10. pouco intenso; pouco ativo
11. pouco significativo; insuficiente; medíocre; mau
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Sei que não vieste aqui para ler esta definição, claro, isto é o que podes encontrar no google em 30 segundos de pesquisa. O que te interessa é outra definição (a minha?). A explicação de uma teoria que levou três anos a desenvolver-se, uma tese, um tratado que escrevi mentalmente e ao qual adicionei provas factuais sempre que tal se proporcionou - tantas e tantas vezes, há testemunhas! Então, para que não haja mal-entendidos nem problemas de expressão, tentarei explicar-me como se tivesses 2 anos, ou 3. Usaremos um sistemas básico de pontuação, como fazem as revistas de adolescentes, e no final me dirás se (como desconfio) és fraca ou (raro, raríssimo) não és. Let the games begin! Ser fraca é:
1. Duvidar (2pontos)
Começamos por um aspecto complicado. Calculo que estejas já a duvidar de mim e da seriedade da minha teoria - o que, à partida, não faz de ti fraca mas apenas esperta. Este primeiro ponto do esquema não deve ser entendido num sentido literal do termo, mas abrindo os horizontes da dúvida para uma constatação muito simples: uma fraca não sabe o que quer, e tem medo do que possa encontrar. Seja essa indecisão verdadeira ou falsa - claro que no primeiro caso não é tão grave (poderá apenas ser infantil) mas pode esconder, se for falsa, a negação daquilo que, afinal, sempre se soube. O que nos leva para um segundo ponto.
2. Não assumir (2pontos)
É o comportamento típico quando aquilo que se sabe não é o que se gostaria de saber. A reacção pública desta escolha é quase tão discreta como seria um elefante a dançar num nenúfar. Facilmente detectável, mais para uns (os que têm o dom) que para outros, requer excelente arte de dramatização e pode transformar tecido cerebral viável em gelatina de tuti-fruti. Apenas um bom mestre poderá tentar manter o elefante ao cimo da água mas, mesmo assim, não deixará de sentir o peso e acabará por afundar. Todos afundam, é uma questão de dias - ou de anos.
3. Trair (3pontos)
Ah, o grande golpe. É banal e pode ser repetido mais que uma vez, recorrendo à originalidade do artista. Poderia escrever um livro sobre o tanto que já vi ser feito nesta área. Há quem recorra aos ex- e quem crie falsos "futuros", se bem que o prémio final vai para as grandes artistas que conseguem conjugar passado-presente-e-futuro no mesmo lugar e à mesma hora. Coincidências. É muito feio e condenável enfiar um chapéu de vaca em cabeça alheia.
4. Sofrer de gula (2pontos)
O que se relaciona com o ponto anterior. Porque a relva é sempre mais verde do outro lado da cerca, há muito animal de quinta que não consegue controlar o seu pastoreio. Nem Deus nem o celebrante de um casamento civil (desculpem-me que não sei o nome técnico do individuo que realiza o acto) tiram a visão aos noivos quando os declaram solenemente casados.. mas também não posso concordar inteiramente com os que dizem que olhar e pensar não contam como apetite. "Comer com os olhos" é sofrer de gula, se não fosse não se diria "comer".
5. Causar inveja (1ponto)
A felicidade é incómoda para quem não a vive - não me incluo neste lote, seja claro! Mas sei de fonte segura (é o que me dizem) que a inveja é um sentimento podre que corrompe o organismo todo. Há relatos de criaturas com estados febris causados por ver que outros têm o que se deseja mais. E, claro como água (ou vodka, que é igualmente transparente), a inveja é coisa de evitar. Traduz uma guerrilha infantil de miúdas que arrancam cabelos para brincar com uma única Barbie. Se são duas e só há uma, e se partilhar estiver fora de questão, há que aprender a viver com a vitória ou com a derrota. Esta última é mais amarga, mas é melhor procurar outro favo onde haja mel do que viver constantemente com o ferrão da abelha-rainha espetado em parte incerta.
Fiquem com o sistema de pontuações.
0-1: Não és fraca, és feliz.
2-4: Aprendiz
5-6: Estagiária
7-8: Profissional
9-10: Rainha
E chegamos ao fim, caros amigos e amigas. Agora sim, digam-me que sou idiota porque levei anos a compilar estas verdades tão banais. É um facto, não tenho nada com que argumentar. Mas, não fosse eu, os vossos fins de tarde e de noite não teriam assuntos interessantes para debater! Feliz por contribuir, continuarei disponível para esclarecimentos adicionais.
Princesinha
(sinto necessidade de deixar um esclarecimento prévio, pois nada do que se segue te diz respeito; nada tem que ver contigo, nada foi inspirado no que me ensinaste, nada te pertence nem te está associado; qualquer semelhança será obra do acaso, a mais pura das coincidências)
quinta-feira, 12 de julho de 2012
continuação.
(Não é artifício de escrita, isto é mesmo uma continuação e devia ler primeiro o post anterior).
Já o calor é um caso mais sério. A verdade é que facilmente me aborrece, rouba-me toda e qualquer pequenina vontade de pegar numa história e passar para o papel. Não consigo escrever ao sol, este ano nem tentei. Nestes meses desgraçados o corpo só pede coca-cola com gelo e limão, ou café com gelo, ou Beirão com gelo e limão (seja espremido, com casca ou sem). Ou pior, pede martinis que, em número superior a dois, dão início de uma tormenta de calores internos que supera as marcas do bronze nas costas. Também é facto, e não menosprezado, que uma boa esplanada (como essa, que tenho a honra de frequentar) é sempre um espaço criativo em pleno: a música é de excelente qualidade (ainda hoje correu o cd da Joss Stone, gravado ao vivo num sítio qualquer), a bebida é fresca, costuma haver uma aragem passageira, e o gerente/funcionário do espaço é de um charme apenas comparável ao do Martini-Man, Mrs Clooney. Mas lá está, mais me ajuda este raciocínio, é disto que me aborreço. Está sempre por ali um bom conjunto de gente que dava uma boa história (gente que tem, digo eu, boas histórias). Mas o abrasado do calor só me dá para barrar protector solar, factor 30, em tudo quanto é pele exposta, nunca para agarrar uma caneta e divagar. Nunca. E agora, se escrevo, não se iludam, é apenas porque tenho o quarto climatizado a 18 graus. Estou de pijama e robe de inverno, com gorro na cabeça e meias nos pés. É o que digo, o calor não favorece o artista, muito menos a miúda que quer escrever para ganhar a vida. E que seja uma dessas confortáveis, que vá permitindo, nos intervalos destas tardes solarengas, ir num avião low cost tomar um café em malga xl a um sítio frio e distante. Ou, já que compensa, beber uma dessas cervejas que cheira à broa de milho da padaria da vila.
o orgulho e uma cerveja.
Numa terra fria e distante há um bar maravilhoso. Eu, desentendida do dialecto local, não percebi o nome inscrito, em letra velha, acima da porta e janela. Nem sabia, aliás, pronunciar tais palavras. Foi só com o google tradutor que, meses depois, soube que estive no "Orgulho da Margarida" ou na "Margarida orgulhosa" - nunca fiando nessas traduções fracas.
Mas voltando ao bar, entrem. É uma espécie de pub, muito ao estilo das terras frias e distantes, onde se servem cafés em pequenos tabuleiros com bolachas, fatias de bolo, chocolate, natas e açúcar. O café em si, claro, é péssimo e a chávena é do tamanho de uma taça do caldo verde. As bolachas ou o bolo são sempre melhores, e o chocolate (ou nougat) é delicioso. Neste bar, como noutros que lhe são vizinhos, o café é tão caro que sempre compensa beber uma cerveja. Há uma lista, numa capa de folhas plásticas como as da escola, com nomes e indicações que não se entendem. A escolha segue a linha dos números da lotaria, só que o retorno da aposta é tendencialmente mais agradável.
Há bebidas destas que sabem a cerejas e outras que sabem a pão frio, com espuma branca. Dos mil sabores da lista percebem-se (a custo) as frutas: pêssego, maçã e uma outra que se podia jurar ser de uva. São sempre muitos frias e depois muito quentes, quando dentro do corpo. O que é bom porque ajuda a superar o grau zero que corta as ruas e nos vem bater nas esquinas, quando há vento.
Foi ali, precisamente no lugar que está vago da minha ausência, que comecei a escrever uma história com a ganância idiota de um dia ganhar um prémio e muito dinheiro. Sempre achei que o frio me estimula as ideias, como se me encasulasse o corpo todo para o cérebro (e outros órgãos criativos). É no frio que nunca me dá para cometer disparates, pois é-me mais confortável o calor artificial de uma boa manta Quechua. Mais se acrescenta que é nos meses de inverno rigoroso que o consumo dessas bebidas me agradava particularmente, uma vez que o corpo não desata a produzir hormonas e suores, direccionando tudo para uma excitação cerebral - que, agradeço, me deu já umas quantas ideias.
(nota: continua...)
(nota: continua...)
sexta-feira, 22 de junho de 2012
parte2, ano4
Arrasto os pés pelas escadas e sinto o buraco negro gigantesco, resultado da conversa fria, a formar-se na cabeça. Fungo, elas lá vêm. No último degrau vai ficar a marca da confusão pequenina que o negro ainda não apagou. Naquele espaço partilhado não se pode partilhar mais que o necessário, há que resistir a grandes demonstrações dos sentidos. Fungo, aquele barulho com o nariz que os miúdos fazem quando estão constipados ou quando querem coisas que estão na prateleira mais alta. Acabam as escadas, o tapete cola-se aos chinelos e faz-se num novelo que chuto para longe, para trás. A porta ficou encostada e o candeeiro aceso, o ar fresco da climatização agita-se numa onda quando a porta fecha, suave, nas minhas costas. Um último fungar, enquanto deixo cair os papéis agrafados da minha organização, de todo um curriculum a pedir estudos internacionais. O buraco negro dissipa, devolve-me tudo o que levei até ao primeiro degrau da escada de madeira, que estala cada vez mais. Escorrego para o cadeirão cinzento, enrolo-me como um bicho e fico com a certeza de ter feito asneira. Aquele arrependimento imediato de quem põe a esperança no sítio errado. Um engano traiçoeiro, certeiro e que estava arrumado a um canto, entalado de esperança como uma ilha minúscula no meio do mar. Essa esperança vadia, quando foge sem pedir autorização, faz tudo desabar. A certeza do engano, a grande ilusão, essa é que custa. Há logo mais mil ideias pequeninas, sacanas, que correm a provar que tem razão, que bem avisaram. Depois imagens, caras conhecidas, que dizem "eu fico" e que dizem "para mim acabou, é o fim, Mariana". Tudo a mudar, tudo no mesmo sítio - e eu nunca percebo estas coisas, estas pessoas e eu.
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Disseram eles jornalista está a dar
domingo, 13 de maio de 2012
Mais encanto.
Dizem que é na hora
da despedida que Coimbra tem mais encanto. Que há, nesta cidade, qualquer coisa
que não volta, que voou. Que há um rio que tem todo o brilho da cidade, há
capas aos ombros e saudades nos olhos. Dizem, disseram-nos durante três anos. Tentámos
acreditar, é verdade, aprendemos a dizer adeus e a viver com a saudade.
Aprendemos a conviver com os colegas, a que passámos a chamar amigos;
aprendemos a conviver com a cidade, a que passámos a chamar casa. E, quando
pensamos bem, são estas as duas lições que deviam valer mais.
Lembram-se do dia em que chegaram?
Eu tive medo, confesso. Recordo que havia muitas Capas e Batinas, que esperámos
debaixo de um sol muito quente e que alguém fez discursos que não fizeram
sentido. Recebemos t-shirts e hinos e fomos convocados para a Praxe. Éramos uns
miúdos, saídos do liceu, não sabíamos lidar com os power points acelerados do
Ensino Superior, com os exames em duas fases nem com os anfiteatros de madeira
que caem a pique até ao professor. Depois acabou o primeiro ano e pensámos que
era o fim, de tudo. Mas então vestimos de negro, traçámo-nos em abraços e em
famílias. Não era o fim, era só outro começo.
No ano passado, começámos a sonhar
com um Carro. Começámos também a perceber que não era tudo fácil, tivemos de
nos despedir de colegas que tinham sonhos iguais aos nossos – e ninguém nos
ensinou a fazer isso. As bolsas, as políticas, às vezes uma nova vida. Mas
ainda não foi o fim, ainda não acabou. Nas letras, passámos da teoria à
prática, pediam-nos notícias e noticiários. Trabalhos de grupo, apresentações
orais… e nós queríamos faltar às aulas, queríamos tanto ser rebeldes!
Trocávamos a noite pelo dia e íamos pelas ruas em grupos e em Trupes, às
cantigas e às tascas, à Alta e á Baixa. Jantares, Latada e Queima. E depois o
ciclo termina sempre com exames, uma espécie de corda ao pescoço como a que tem
o D. Dinis.
Mais um passo, pequeno, e já nos
chamam finalistas. Saltamos etapas porque Bolonha mandou. Está a acabar,
percebem? Acreditam? Agora é oficial, não somos os miúdos que chegaram a
Coimbra cheios de malas e de vontades. Somos os outros, os que deixam Coimbra
porque chega a hora. Os que vão querer voltar e não vão querer esquecer. Somos
o terceiro ano de Jornalismo, os fitados 2009/2012. Somos o “Inimigo Púbico”,
as Miguitas, os Rijos, as Erasmus, as Rosinhas e a Tertúlia que nunca existiu.
Somos o 27! Somos tudo o que não consigo (ou que não posso!) dizer nesta
página; as fotografias que levamos para recordar, o choro de uma balada, a
alegria das nossas festas e as lágrimas que enchem o rio. Por sermos assim, e
não apenas por estar a acabar, posso dizer, e sei que me acompanham: ainda bem
que eu entrei no meu ano!
Mariana Pardal
Presidente da
Comissão de Carro 09/12
P.s. Peço desculpa
por não mencionar cada um dos elementos desta Comissão, mas sinto que há que
destacar as tesoureiras Sílvia e Flaviana, pelo trabalho incansável, pelas
contas certas e pela disponibilidade total.
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