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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Senhora Dona Fruta

Está um calor de morte em Coimbra. Nas ruas, nas esplanadas, em minha casa e na casa dos outros. As janelas abertas não resolvem, porque não há vento - e quando há, é quente. Logo pela manhã já uma camisa parece excesso de roupa. Mas, mesmo com este clima, não se pode ficar em casa. Eu, muito corajosa, lá saí. Quando estava de regresso, e passando pelo Largo de Santa Ana, resolvi vir por outra rua - porque tinha mais sombra. Mais meia dúzia de passos e, à minha direita, uma frutaria com ar de frescura. Entrei, só para conhecer o espaço, e dou de caras com uma senhora alta, forte, de sorriso rasgado, a perguntar-me se podia ajudar, "filha". Disfarcei e apontei para os abrunhos, são 3 por favor. Enquanto, muito solícita e despachada, foi buscar um saquinho de plástico, eu aproveitei para contemplar a fatiota: trazia umas socas cor-de-laranja garrido, sem meias; um vestidinho branco, pelo joelho; e, a cereja no topo do bolo, um avental com botões, gola revirada e manga pelo cotovelo, tudo com frutas desenhadas. Mas com cores, bonitas, com um aspecto muito festeiro e animado. Ainda eu não tinha tido tempo para chegar aos brincos, já ela tinha arrumado os abrunhos no saco e voltava para mim com perguntas. "Oh linda, atão e não bai mai' nada?". E mostrava maçãs daqui e ananáses inteiros noutra cesta. Depois levou-me aos morangos, deu-me um para provar que eram doces. "E são nancionais! Qu'a gente agora temos de comer o qu'é nosse". Então eu, porque os morangos eram 'nancionais', pedi-lhe uns 10. Deu-me 12, por causa das contas.Também fiz contas, não fazia ideia das moedas que tinha na carteira - só entrei para ver e já tinha dois sacos de fruta. Rematei por ali as compras, mas não consegui segurar-me quando vi caixas de cerejas no balcão. Ao meu olhar guloso, a Dona Fruta (é o melhor nome que lhe consigo arranjar) respondeu-me que já não tem. Que ainda houve, por alturas do Natal. Vieram numa remessa da Argentina, eram boas. Agora só volta a haver na época delas, lá para Junho. Mas o melhor é que eu vá passando, que sempre há qualquer coisa nova. E fez a conta. Tinha unhas cor-de-rosa choque, já com o verniz a cair, e carregava nos botões da máquina sem olhar. Continuou a explicar que às vezes tem assim negócios com a Argentina, porque eles têm lá coisas boas e há sempre quem lhas consiga trazer frescas. Que é como a fruta tem de ser, fresca. Despachou-me com 3€ e qualquer coisa e o típico 'volte sempre'. Ainda veio comigo à porta, muito airosa nas suas socas, gritar-me do meio da rua "BOM APETITE, FILHA!". E eu, sem manias de fineza, vim a roer abrunhos até casa.

terça-feira, 29 de março de 2011

não sejas púdica.

A tua historiazinha já correu o país. Desconfio até que o Correio da Manhã escreveu qualquer coisa sobre isso, mas na altura ninguém reparou, tal foi o escândalo que montaste quando o assunto se começou a espalhar - tu, constrangidíssima, ías corrigindo as versões que circulavam, acrescentando pormenores e risinhos. Desses teus risos estúpidos, de mostrar a garganta ao médico. Mesmo assim, tu tentas, com teatro e muita base, manter uma pose de senhora. E ficas pior. A esse teu arzinho rasco já estou habituada, ignoro. Mais ainda quando te vejo no engate, com aquelas frases baratas que saem nos chocolates, misturadas com coisas porcas do American Pie. E essa tua arte, que dizes ser reconhecida no estrangeiro (de tão corrida que és), só a vi funcionar com duas canecas de cerveja e uma outra pessoa igualmente desesperada. Foi um fogo que se pegou. E eu, na minha inocência de estar sempre no sítio certo à hora exacta, fui dar contigo (e com a outra) numa confusão de saias curtas e meias de lycra mal puxadas. Um espectáculo potencialmente agradável à vista, não fosse a banalidade da produção. Ficaste famosa quando o assunto, logo no rescaldo daquela bebedeira, se espalhou. Muito contente andavas tu nos teus 5 minutos de fama.
Por isso é que não faz sentido a tua nova conversa - que andas irritada com a alcunha. E, em mais uma das tuas míseras explicações, dizes que nós podemos usar (reconheces os autores, valha-nos isso), só não admites aos outros, porque não sabem. Mas, juro, eles sabem - toda a gente sabe. Então, não sejas ridícula. Quando eras porca-assumida tinhas mais sucesso. E eu até te achava piada - eras o conhecido caso de uma noite mal passada. Imagino que esta nova personagem te dê imenso trabalho: não consigo contar as horas que passas em casa, a desfilar de casaco pendurado nos ombros, as combinações de cores que fazes antes de sair à rua e muito menos o sacrifício de levar a mão à boca para disfarçar os risinhos. Eu, que nunca gostei de ti regularmente, tenho vindo a permitir o crescimento da tendência para não-gostar (mesmo). Mas o que ainda tem mais piada é que, quando leres isto, não vais perceber que é para ti, porque és uma Senhora. E hás-de ser, até uma noite em que alguém precise de ti.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

amor é.

Adoro os programas especiais da Sic - é a premissa deste texto. Adoro estes dias em que a 'Companhia da Tarde' passa a ser a 'Companhia do Amor' ou a 'Companhia da Mãe' ou a 'Companhia do Piriquito' (ou da Piriquita). Gosto particularmente das tardes em que sorteiam um belíssimo automóvel, e a mula da apresentadora repete trezentas vezes que o dito veículo tem jantes de liga leve e assentos em pele. A cereja no topo do bolo é juntarem a Merche Romero e o Careca durante toda a emissão e, quando uma pessoa julga que já não pode ser surpreendida, ainda trazem o namorado dela, numa lindíssima declaração de amor, atenuada com um ramo de flores foleiras (e de aspecto barato). Quando a programação que temos é esta, há que esperar por toda uma panóplia de artistas do 'muito-mau' ao 'fraquinho' - e, lá está, aparece sempre a Ruth Marlene. Aqui e ali, aparece no ecrã um casalinho de idade avançada a explicar o que é o amor - numa entrevista muito mal preparada. Nisto, respondendo à pergunta do senhor entrevistador e mostrando o que nenhum dos casalinhos teve ousadia para dizer, eu entendo que o amor deve ser divulgado - se possível, em cartolina ou lençol branco. Sem vergonhas, e de uma maneira sentida, assim como esta:


domingo, 6 de fevereiro de 2011

vou meter no facebook

Rendi-me àquela brincadeira do Millionaire City, no facebook, depois de ter visto a Tatiana a recolher milhões nos seus bungalows de luxo. Agora tornei-me, também, empresária (e viciadinha naquela treta). Estou a ter grande sucesso e até já tenho um restaurante de sushi, lá na city. Blogger, gosto muito de ti, mas começo a ficar mais fã do facebook!

E ADORO ESTA MÚSICA !

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

frases que ficarão na história

um dia destes, naqueles momentos de sms-vai-sms-vem, estava eu cheia de fé em mim, escrevo isto:

"... Mas eu sou Mariana Pardal, a toda poderosa, detentora de vários cargos de importância e de uma inteligência superior. Portanto, estou em condições de lhe dizer para ir à merda."

domingo, 26 de dezembro de 2010

€ Natal

O natal é muito bom porque dá dinheiro às pessoas (eu, por exemplo). Vou comprar prendinhas para toda a gente e faço embrulhos muito bonitos, com direito a laçarote vermelho - para ficar com ar natalício. Ainda hoje fui à missa, e a minha vontade é ir ao shopping. Com a carteira debaixo de braço, como só a Tatiana sabe andar, e percorrer o corredor do centro comercial.

Acabo sempre a fazer contas de cabeça em frente à secção das promoções. O dinheiro não dá felicidade, mas andar sempre a zeros não dá com nada!

P.s. só me falta comprar o livro essencial para iniciar o estudo do exame de dia 5.

sábado, 11 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

wouldn't it be nice?

De entre tudo o que me deixa absbilicobanzobstaferica*, tenho de destacar os casamentos na praia. E nunca tal me passaria pela ideia, não fosse dar-se o caso de assistir a um - sem sequer ter sido convidada. Tudo se passou numa tarde em que supostamente iria apenas parar na esplanada do bar da praia, ler o jornal e depois mais tarde estender a toalha e dormir até ser hora de voltar para casa. Mas todos esses planos foram alterados quando chego à dita esplanada e dou de caras com uma populaça vestida formalmente, aglomerada junto a uma daquelas tendas onde os noivos se casam nos filmes. Como filme de qualidade, havia estrelas - reconhecíveis, um actor do teatro e a professora da novela dos vampiros.
Com um lugar privilegiado na esplanada, deixei o jornal na página das palavras cruzadas e fui deliciando o olhar com tal insólito. Mas o melhor estava para vir. De entre os convidados irrompe um individuo de calça branca e lenço ao pescoço, pavoneando-se de cá para lá - e de lá para cá, e assim sucessivamente. Passam uns minutos, e entra um Smart a toda a velocidade no parque de estacionamento: eis a noiva, guiando a sua própria viatura. Sai a noiva do carro e é ultrapassada por um toino e quatro toinas que iam de mala aviada para a praia, com lancheiras, guarda-sol, tapa-vento, toalhas, baldes e pás e sacos (muitos sacos) do pingo doce. Os convidados todos em fila, três crianças a agarrar na (mini)cauda do vestido e a noiva avança para o altar. Nisto, as colunas discretamente montadas nas dunas ligam ao som de (imagine-se!) Beach Boys!
Pensava eu que tinha sido o final da festa. Qual quê! O dono do bar da praia e os seus amigos charmosos focam o olhar no topo da serra. Discreta, mudei para lá toda a minha atenção. Um dos amigos estava na ponta do precipício de parapente aberto, pronto a saltar! E saltou. Os que estão em terra vão avisando que o do ar é doidinho, que ainda vai arranjar maneira de estragar o casamento - enquanto vão implorando por juízo e fazendo gestos para que ele não aterre nos convidados. O medo aumenta quando ele se aproxima e sobrevoa a tenda tão perto que podia ter arrancado os panos brancos com os pés. Mítico, mas não houve feridos.
No final do casamento, os convidados dispersaram rápido para a boda e o dono do bar convida os noivos para uma flute de champagne. Lá vêm eles, com o fotógrafo atrás - e eu escondida no jornal, não querendo aparecer com a roupa velha que usei no dia. Conversa daqui e conversa dali, recordo-me que o noivo era o pavãozinho que deu mil uma beijocas nas convidadas antes de chegar a noiva, muito simpático e atencioso. Depois de casado, descalçou os sapatinhos à esposa e tirou o seu lenço branco (que fazia pandam com as calças). Fiquei desconfiada, mas depois tudo fez sentido: a praia, os panos brancos, a música dos Beach Boys, os risinhos e as beijocas... aquele rapaz teve tudo, menos uma entrada triunfal num cavalo (branco, claro). A noiva apareceu a toda a velocidade num Smart e, não querendo ser má-língua, um dia destes volta a usar o carro. "Olha aqui pra mim!", disse um dos homens do bar - rapariga, muitas felicidades!

"We could be married
and then we'd be happy
wouldn't it be nice?"

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*Absbilicobanzobstaferica = supercalifragilisticexpialidocious
que é como quem fica muito encantado, feliz ou estupefacto.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

não é um jogo educativo

Andava a sofrer há mais de duas semanas, com vontade de ocupar o tempo de ócio com um jogo que incluísse carros e desrespeito das regras de trânsito. Com particular interesse num que jogava quando era nova. Procurei na estante dos cds antigos e só encontrei jogos aborrecidos - e infantis. Mas aquele era fantástico! Era possível (aliás, suposto) atropelar os peões e, ainda mais fascinante, vacas! Num dos primeiros níveis havia imenso gado e até dava bónus trocidar várias ao mesmo tempo. Era espectacular. Corri o google de uma ponta à outra, com "jogo de carros violento, década de 90". Numa destas tardes (ante-ontem, nunca me irei esquecer) fartei-me do google e disse para minha irmã: "vou ver se encontro no youtube". E fui. Escrevi as mesmas palavras-chave e fui lendo os títulos dos vídeos que apareceram: "etc, etc, etc, carmageddon, etc, etc". Carmageddon?! Não. Mas eis que a extraordinário memória da minha irmã reage a "carmageddon"! É esse, é esse! E eu, muito descrente, fui ao google imagens. É ESTE! NÃO ACREDITO, É ESTE MESMO!!


Para quem conhecer a capa (pessoa que acaba de subir a pique na minha consideração) e estiver interessado em, como eu, reviver momentos da mais pura e estúpida violência, é procurar no google que há imensos links para download. Como é óbvio, já está no meu ambiente de trabalho e tem sido a loucura do revivalismo!


Agora, que me desculpem, vou esperar que isto acabe de carregar (porque é antigo) e avançar por essa estrada fora, rebentando com o que conseguir - outros carros incluídos. Hang on to yer helmet, o meu carrinho amarelo vai voltar à estrada.

P.s. Não consigo perceber como é que a minha mãe permitiu a existência deste cd cá por casa - ainda agora tenho medo de ser apanhada a jogar isto!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

(you) drive me crazy.


Solicita-se a todos os habitantes e condutores de veículos motorizados do concelho de Montemor-o-Velho que amanhã, entre as 10:30 e as 11:30, se mantenham no interior de suas casas / garagens.

Vou andar por'í e não tenho pleno controlo do veículo!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

o que eu queria

era ter tempo e dinheiro para ir ver este filme, até porque os lucros da venda dos bilhetes serão o pagamento da equipa técnica e dos actores (porque não havia dinheiro para avançar com contratos... só neste país!):


ainda mais quando me lembro de ter encontrado o A. numa dessas noites da queima, com autocolantes a fazer publicidade ao filme, até tirei foto:



particularidades do filme (além da publicidade sugestiva) é o facto de não conter cenas de nudez nem de sexo explícito. oh, assim sem parece português! Soraia Chaves, que é feito de ti ?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

YES, A ROSINHA TEM UM CD NOVOOO!

Descobri por acaso, mas foi sem dúvida o ponto alto do meu dia: a Rosinha tem um cd novo!


Olhando para a bonita capa, dá para perceber que Rosinha (esse ídolo) ainda não mudou de modista: continua com padrões sensuais no seu vestido azul que combina agora com um lindíssimo par de botins. Este novo albúm mantém também o estilo habitual e já é, segundo o site oficial da artista, um sucesso de vendas! A não perder, no próximo sábado, a aparição no Top+! Além do single que dá nome ao trabalho, destacam-se já alguns temas, nomeadamente os seguintes: "O gato lambe-me a passarinha", "Portugal está florido", "Ele faz-me vir" ou mesmo "Passa o dia a encavar" - cada vez mais subtil, Rosinha! Nos espectáculos, para além de interpretar os temas, vai ainda tocar acordeão ao vivo, instrumento muito estimado pelo público português. Mal posso esperar pelas Festas da Vila - vou criar um grupo no facebook para promover a vinda da Rosinha ao Palco Principal!

Agora, minha gente, deliciem-se com o vídeo de apresentação (ah pois, que até já tem videoclip) e que se comece a decorar a letra do novo hino do verão!



(este videoclip é tão espectacular que até o Fernando Pessoa aparece!!)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Bandoletes



Por alguma razão certamente descabida, a minha conta de youtube sugeriu que visse este vídeo. Poderia estar a gozar, mas efectivamente apareceu na secção "Recomendado para si". E como gosto de verificar as recomendações que me são feitas, lá fui. Ora então aparece no ecrã Manuel Luís com o seu casaco listado-sofá e Cristina Ferreira com uma poupa muito saloia revirada para trás. Junta-se ao circo uma entendida no assunto das bandoletes (que palavra feia) que vai explicar então toda a ciência do mundo dos acessórios de cabelo. Como se estes petis patapons não fossem bastantes, ainda aparece a outra com um forunfalho na testa (que parece uma lanterna dos mineiros) e tudo diz que vem muito gira. Gira? Oh filha, giro é o par de óculos que eu ainda hoje comprei no Chinês da Estação por 4€!

Ainda mais estranho foi o pensamento que me assolou. Imaginei-me com a poupa saloia da Cristina a escolher a bandolete que melhor fizesse pandam com o casaco-alcatifado que o Manuel Filipe Luís tinha nessa manhã! Que ME-DO.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Euphon e Chá de Baunilha (garganta II)

Como preciso de recuperar a voz límpida e suave (que nunca tive), no sábado fui a farmácia antes de começar com as aulas de flauta na filarmónica. O funcionário perguntou pelos sintomas e eu atalhei, resumindo que queria alguma coisa forte que me limpasse a garganta. Por 5€ e umas moedas vim de lá com uma caixa laranja e redonda com o que me pareceram gomas. Na tampa vem explicado que é extracto de eríssimo (não faço a mais pequena ideia). Segundo as indicações do farmacêutico, tomar uma de hora a hora para já e depois reduzir a dose para metade. Portanto, se no sábado as 15h a caixa tinha 70 unidades e hoje pela manhã já só tinha 3, será caso para desconfiar de sobre-dosagem? Quiçá. Por precaução, já li as indicações: não há efeitos secundários (uff). Mas, ups, já infringi uma advertência: "Manter fora do alcance e da vista das crianças." - Padeiro, podes sofrer reacções alérgicas, desculpa.

Também em prol das estimadas cordas vocais, recusei ir jantar fora - o que me custou mais que calçar sapatos. Acabo assim o diaa no meu canto, a ver as novelas da TVI, beber chá de baunilha e mordiscar bolachinhas de canela (não são muito boas, mas é o que há). Deprimente, não é? Mas não é tudo... Até acredito que o eríssimo não me vá causar problemas, mas as 3 imensas canecas de chá, mais cedo ou mais tarde, vão manifestar-se!

domingo, 7 de março de 2010

Festival da Canção

Como fã que sou, acompanhei a grande final do Festival da Canção, no Campo Pequeno - desconfio que se fazem lá mais festas que touradas! Quem não viu, fique a saber que ganhou a moça da Família Superstar, pronto. Eu não sou contra nem a favor... quem eu queria que tivesse ganho (a Rosinha!) não deve ter passado sequer a fase dos castings. Mas isto do Festival da Canção tem muito que se lhe diga. Quando acabou a emissão e a Sílvinha Alberta desejou as boas noites aos telespectadores, fui directa ao site da Caras (já não tinha dito que sou frequentadora assídua do salão?) ver se se havia novidades. Mas nada, ainda não se actualizaram. Já tinha decidido que ia fazer um post acerca do tema, mas confesso que vacilei quando vi a fotogaleria com "As pashmines de Letizia", e ainda mais quando li a boateira referente ao 24horas - que diz que a Lucy está grávida (do Djaló, sim).

Depois lembrei-me daquela mítica procissão (não consigo descrever melhor) em Valongo, quando o lascarino - meu partner - se lembrou de desfilar todas as canções vencedoras do Festival da Canção! E por todas, leia-se exactamente t o d a s. A começar em 1964 com a "Oração" do Calvário, acabando quando Deus quis, já a roçar na "Senhora do Mar".

Como Festival da Canção é coisa séria, tratei de erguer uma bandeira em sinal de respeito. Serviu a manta da Joana e um galho apanhado do jardim. Nessa peregrinação, saltámos dois anos - que uma pessoa (ou duas) também não as pode saber todas. A conclusão que tirei, e que continuo a afirmar, é que a Eurovisão era muito mais catita quando passava a preto e branco ou metia cavaquinhos.

Recordo com saudade, de tão idosa que sou: a Simone e o seu vestido verde-bandeira, sem problemas a dizer que quem faz um filho fá-lo por gosto; a Madalena Iglésias com um penteado abajour e carinha de casta a fazer olhos à câmara; aquele grupo maluco que tinha um refrão género Dali-dali-dou; a Tonicha em '71 bastante engraçada no alto da Serra; o Armando Gama todo meloso; a grande Adelaide Ferreira antes de ter tendências de Baby Suícida; já para não falar dos Da Vinci, da Nucha, da Dora, da Dina, da Anabela, da Dulce Pontes, do Cid, da Sara Tavares ou da Lúcia Moniz.

Lembrei-me agora... de quem eu também gostei muito foi do Rui Bandeira!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Produtos Chenênzes

Faltavam duas lâmpadas no candeeiro da sala e fomos comprar à loja do chinês (deve ser pronunciado che-nês). Baratuchas, como já se calculava. Serviam bem para a função e, vá lá, não eram daquelas com uma luz meio azulada, género lâmpadas de néon do tunning.

Ía deitar as caixas fora, quando virei a embalagem para ler a parte de trás - já que o desing da frente era medonho. Ai, que espectáculo! Desde frases sem sentido, palavras que nunca tinha visto na vida até traduções trocadas, encontrei de tudo um pouco! Deixo a imagem, que (sem dúvida ) vale mais que mil lâmpadas.



ASAE ... wu-uuuh!

sábado, 9 de janeiro de 2010

agora já podem ser mais que AMIG@S ÍNTIM@S

Não fez a abertura do telejornal, nem teve destaque no site da Sapo... mas o Público que (valha a verdade) nunca me falhou, lá fez a merecida chamada ao assunto: "casamento gay aprovado com votos da esquerda".

Nada que eu já não soubesse! Almocei em casa da avó, a de cá da terra, e a televisão estava na RTP1. O telejornal começou com o semi-entendimento entre os sindicatos e a Ministra da Educação e passou logo em directo para a repórter que estava no Parlamento, ainda antes da votação. Como o assunto mudou tão depressa, a minha avó nem teve tempo de acompanhar e ia perguntando se aquilo era dos professores, «que não estou a perceber nada».

Continuou-se a almoçar, que era para isso que lá estávamos, quando volta a passar a emissão para a repórter - que já estava na escadaria do Parlamento, no meio de outros tantos jornalistas. Casamento aprovado, propostas do BE e do PSD chumbadas - adopção (ainda) não. Entre perguntas de uns e de outros lá deu para ouvir as respostas e houve ali em directo, ao vivo e a cores, uma troca de beijocas (beijocas, o tanas) entre as senhoras que, simbolicamente, acabavam de casar.

E começa a sessão de comentários!! A minha avó tem toda uma teoria na qual o José Socras é gay e fez isto tudo por interesse! Elas, são umas Comadres Mariquinhas e sabia bem ela o que lhes fazia! O conteúdo das considerações era definitivamente desadequado ... mas a forma como foi exposto toda aquele seu ponto de vista fez-me chorar a rir!!! Pior que o enredo de uma novela da TVI em que os apaixonados são irmãos porque a mãe é prima da amiga do pai da cunhada que está em França.

Enfim, comentários da minha avó à parte, quero deixar por aqui um yeah face ao "25 de Abril dos Gays e Lésbicas de Portugal". E, já que no 25 de Abril a Cantiga era uma arma (e eu não sabia - mais agora já sei) ... pois deixo também uma faixazinha para a celebração:

Eiii! Agora já podem ser mais que AMIG@S ÍNTIM@S! xD
[e nem é namorados, podem mesmo casar! "então pára de fingir / perde o medo de assumir / somos mais que amigos íntimos / diz ao Mundo que é assim"]

(canta esse ícone da música portuguesa: a Rebecca, que se escreve com dois "c")

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Poesia de beira de estrada

Já não posso precisar se foi antes ou depois de passar pela Associação Recreativa e Cultural, mas tenho a certeza que foi antes do Café Central. Já não ia lá desde o Verão, entretanto houve obras e agora está tudo bem arranjado com calçada portuguesa e uma estatueta de uma senhora [isto é uma coisa que dava um rico post: porque raio é que a maioria das estátuas representam mulheres? Porque não uma réplica - em tamanho real - de Sir. George Clooney, senhoras Presidentas de Junta?]. Devaneios à parte, vamos focar a atenção na dita estatueta: tinha uma quadra inscrita na pedra da base. Cito:

"Quiaios, terra do mar,
toda cheia de atavios,
na areia d'oiro a criar
os porquinhos luzidios"

Peço desculpa?! Como é?! "Na areia d'oiro a criar / os porquinhos luzidios"?!?! Esta malta daqui tem piada.... mas! Não pode ser! Isto é a sério?! JUREM?! "OS PORQUINHOS LUZIDIOS"?! uii, que poético - até me vieram as lágrimas aos olhos. Imagino já Pessoa & Cia, tudo a dar voltinhas na campa e a bater com a mão na testa, suspirando: como é que eu não pensei em tal?

Enfim, para expressar toda a minha (nem tenho palavras)! No fundo, para expressar a minha qualquer coisa relativamente a tão bonita quadra, faço este post acompanhar-se de um videoclip de duas porquinhas luzidias - que São Lindas. Porque uma estátua, é uma estátua (é uma estátua); mas este conjunto musical conseguiu elevar a grandiosa conclusão de Lili Caneças de que "estar vivo é o contrário de estar morto", tendo a originalidade maluca de adaptar à poesia e, imagine-se, inverter tudo para dizer o mesmo! Se "poisia é viver / viver é poisia"! Segue a mensagem para a Lili "estar vivo é o contrário de estar morto" e ... "estar morto é o contrário de estar vivo. Ora pimba.

E, apenas para elevar o nível poético do blog, termino com um conjunto de três quadras (conhecem aquela expressão da "cagada em três actos"?) da minha autoria. Agora, eu sou uma pessoal mentalmente instável! Tenho desculpa para o que escrevo, chego a fazer medicação! Além disso, (ainda) não tenho estátuas com isto escrito - muito menos videoclips em que use ganga da cabeça aos pés ou convide a minha irmã para os coros e as primas para as coreografias.

Enjoy:

I
Não me consumas
Mesmo sendo eu assim
Tudo isto feito de plumas
Sei que gostas de mim

II
Não me consumas,
Mata-me de uma vez
Sentada, enquanto fumas,
Dá-me um tiro, ou dois ou três.

III
Não me consumas
E deixa-me ressuscitar
Devolve-me as plumas
Abre a porta, dá-me ar.

domingo, 13 de dezembro de 2009

5 revelações...

Diz que não é de boa educação deixar desafios pendurados, portanto aqui ficam as minhas respostas:


a) Eu já ... toquei gaita-de-foles numa canoa no rio Mondego, à noitinha

b) Eu nunca ... calço seja o que for sem um par de peúgas

c) Eu sei ... o que é o Mito, segundo Ferdinand de Saussure

d) Eu quero ... uma roupa em cabedal como a da Leopoldina

e) Eu sonho ... mas nunca me lembro de nada

Já agora, deixo o desafio à Inês, ao Padeiro, à Tia das Flores e à Léninha! xD
(podem responder na caixa dos comentários!)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

o que (raio) ando eu a fazer para não pôr os pés no blog:

em primeiro lugar, lamento imenso a ausência! Não queria, por nada, decepcionar a Tia das Flores nem os milhares (milhões?) de fãs que têm as ervilhas na barra dos favoritos. A verdade é que também eu tenho saudade daqueles velhos posts em que a malta rachava o espírito a rir, aparecia a família a ver o que se passava e acabava tudo em grande galhofa. Enfim, ainda sou do tempo em que o arroz custava 25 centavos e as ervilhas eram boas de se comer.

Porque isto agora, já se sabe como é: um corropio, uma azáfama. Como diz a minha avózinha: "nem tenho tido parança" - que é uma palavra derivada da forma verbal "parar", como toda a gente vê. São testes e entregas de trabalhos, que se misturam com tardes de estudo e análise de notícias no TAGV. Se eu fosse nova, quando tinha ricas tardes de sofá e pantufas, tinha aproveitado apenas uma meia horinha de uma dessas tarde e, bem esticada a massa, ainda levava ao forno uns dois ou três posts - com fotos e tudo muito jeitoso.

E o fim-de-semana? Oh menina, nem sei se pense, nem sei se diga, nem sei se faça! Aliás, "eu sei lá se é os chineses, se é o c...!" »» traduzindo, estive na Invicta. Ainda apanhei umas quantas molhas, já que o querido que controla a chuva se lembrou de nos lixar o weekend e abriu as torneiras todas - menos a do banho, que quase tomei de água fria.

Acredito e entendo que nada disto esteja a fazer muito sentido, mas vim agora da Associação. São 3h da manhã e amanhã tenho que ler uma bodega qualquer do mugging nos media (ou seja lá o que for), fazer a recensão dessa mesma leitura, preparar o debate de quarta-feira. Sem contar que terça é noite de jantarada cá em casa e de karaoke num qualquer barzinho, com ou sem esplanada.

Para breve, vídeos, fotos, explicações e textos apresentáveis e dignos de referência neste bonito espaço. Para já, uma pequena consideração: é inacreditável como há professores que, mesmo longe, continuam a dar trabalho! Mais valia mandar-me ler o Foral de Seia e assinalar as palavras-chave!

Muitíssimas boas noites.