"Boa noite, sou a Mariana Pardal e este é o Jornal Nacional."
Eu num apartamento super in em Lisboa, um labrador retrivier e muito whisky. Ordenado chorudo e meia dúzia de aparições na capa da Caras, Vip e Lux - com revelações escandalosas dos podres da minha vida. Tenho liberdade moderada para tratar políticos e juízes abaixo de cão.
Um carro super, super, super topo de gama e meia dúzia de empregados na casa de férias em Cascais. Um jardineiro mulato e um pool-boy absolutamente africano. Vive-se bem.
Hipótese número 2)
Filmes alternativos e sacos cama num sótão.
Eu, o Padeiro e a Pc acampados em Cuba, no Alentejo. Usamos calças hippies, t-shirts dos metallica e o cabelo divide-se entre as rastas e o inacreditavelmente porco. Dormimos no sótão de uma velhinha simpática de 84 anos que todos os dias nos conta um capítulo da vida que se lembra. A Pc sai de manhãzinha para ir dar aulas de história nas povoações vizinhas, ao volante do seu Ford Escort amarelo-ferrugem. Regressa à noitinha, com aparas de giz e borracha no cabelo e papéis colados nas costas. Aos fins-de-semana, vai a casa visitar o marido e matar saudades do gato.
O Padeiro ressona até ao meio dia e eu faço um esforço para não matar (a tiro) o galo da vizinha. Escrevo argumentos e artigos para o jornal da paróquia, faço castings e cenários; Ele grava, realiza, edita e faz as pipocas, para vendermos nas sessões de cinema que vamos fazendo pelas aldeias. O público adora! Somos estrelas rurais, conhecidas por essa Beira Interior acima - e abaixo. Somos felizes comó caraças.
Além de sermos atropelados por uma quadriga desembestada de vacas mirandesas e enfeitiçados pela vindente Ema do Jumbo, garantiu-me Merly de Manfredo que, daqui a 10 anos, hei-de ser estupidamente mais feliz que e Heidi - na hipótese 2.




