terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Poesia de beira de estrada

Já não posso precisar se foi antes ou depois de passar pela Associação Recreativa e Cultural, mas tenho a certeza que foi antes do Café Central. Já não ia lá desde o Verão, entretanto houve obras e agora está tudo bem arranjado com calçada portuguesa e uma estatueta de uma senhora [isto é uma coisa que dava um rico post: porque raio é que a maioria das estátuas representam mulheres? Porque não uma réplica - em tamanho real - de Sir. George Clooney, senhoras Presidentas de Junta?]. Devaneios à parte, vamos focar a atenção na dita estatueta: tinha uma quadra inscrita na pedra da base. Cito:

"Quiaios, terra do mar,
toda cheia de atavios,
na areia d'oiro a criar
os porquinhos luzidios"

Peço desculpa?! Como é?! "Na areia d'oiro a criar / os porquinhos luzidios"?!?! Esta malta daqui tem piada.... mas! Não pode ser! Isto é a sério?! JUREM?! "OS PORQUINHOS LUZIDIOS"?! uii, que poético - até me vieram as lágrimas aos olhos. Imagino já Pessoa & Cia, tudo a dar voltinhas na campa e a bater com a mão na testa, suspirando: como é que eu não pensei em tal?

Enfim, para expressar toda a minha (nem tenho palavras)! No fundo, para expressar a minha qualquer coisa relativamente a tão bonita quadra, faço este post acompanhar-se de um videoclip de duas porquinhas luzidias - que São Lindas. Porque uma estátua, é uma estátua (é uma estátua); mas este conjunto musical conseguiu elevar a grandiosa conclusão de Lili Caneças de que "estar vivo é o contrário de estar morto", tendo a originalidade maluca de adaptar à poesia e, imagine-se, inverter tudo para dizer o mesmo! Se "poisia é viver / viver é poisia"! Segue a mensagem para a Lili "estar vivo é o contrário de estar morto" e ... "estar morto é o contrário de estar vivo. Ora pimba.

E, apenas para elevar o nível poético do blog, termino com um conjunto de três quadras (conhecem aquela expressão da "cagada em três actos"?) da minha autoria. Agora, eu sou uma pessoal mentalmente instável! Tenho desculpa para o que escrevo, chego a fazer medicação! Além disso, (ainda) não tenho estátuas com isto escrito - muito menos videoclips em que use ganga da cabeça aos pés ou convide a minha irmã para os coros e as primas para as coreografias.

Enjoy:

I
Não me consumas
Mesmo sendo eu assim
Tudo isto feito de plumas
Sei que gostas de mim

II
Não me consumas,
Mata-me de uma vez
Sentada, enquanto fumas,
Dá-me um tiro, ou dois ou três.

III
Não me consumas
E deixa-me ressuscitar
Devolve-me as plumas
Abre a porta, dá-me ar.

4 comentários:

Caramela disse...

Ai o duo São Lindas! Que maravilha! Pérola mesmo! Não sei como alguém consegue viver sem ouvir essas "porquinhas luzidias".
Quanto ao teu belo poema... A etiqueta está certo.. Alguém devia mesmo apagar estas.
Loool

Inês disse...

opah, os tiros é pk andas a ouvir demasiada rihana (aquela rapariga deve ter levado um tiro no juizo e nao se apercebeu), o abrir a porta ainda se apercebe que é por causa do fumo do outro (ou outra). O ressuscitar e pk te faltei eu na missa este domingo e tu pronto, agora pensas que és nosso senhor jesus cristo e ressuscitas ao tereiro dia (coitadita). Agora as plumas???? Ai por amor da santa! ainda viras tu a nova lili canecas!

vice' disse...

Caramela:
Não sejas invejosa! Esta minha arte é algo que também merecia uma estátua!

Inês:
so ouço rihanna se for masoquista ou se estiver a ser torturada pelo KGB. Ressuscito quando quiser e bem me apetecer e se me der na gana usar plumas (e apenas plumas) uso e sou muitíssimo feliz!

Inês disse...

oh minha querida, se quiseres usar plumas E APENAS PLUMAS, estás perfeitamente à vontade, apenas não me obrigues a assistir que é demasiado para o meu sistema cardiovascular! :P