segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Belgique

25-01-2010

Foi um vê-se-te-avias! Tive de sair da cama a horas impensáveis, para estar a congelar na estação à espera do Alfa. Já no meu assento de classe turística, levei com a conversa alheia sobre a ordem dos advogados e o sistema (que vai mal, como sempre). A viagem nem foi tão aborrecida como esperava, em parte porque a vizinha adormeceu e a conversa acabou mesmo por ali. Liguei o iPod e deixei-me ir num estado de semi-acordada, até ouvir, por cima da música, o aviso "Porto-Campanhã". Daí ao Metro foram uns segundos em Rosa Mota e, ainda assim (por umas décimas), perdi o primeiro. Fiquei uns 15 minutos a contar carneiros até aparecer o sobre-lotado das 9:10h, direcção Aeroporto.

Para ficar mais barato, não levei bagagem - o que tem o grande bónus de poder saltar o check-in, e ir directa para a segurança. Foi quando a minha alegre manhã ficou menos descontraída, com o detector de metais (ou seja lá o que for que aquilo detecta) a buzinar à minha passagem. E, insistia a besta, deu sinal uma segunda vez. Tive de acordar, definitivamente. Além de acordar, tive de ser revistada - que são as normas da segurança, e nem as low cost escapam. Com certeza desconfiada de mim, a senhora agente da autoridade efectuou a sua busca - até no cano das sapatilhas, valha-me Deus. O máximo que encontrou foi um recibo de revistas, no bolso das calças, o que, concordámos, não constitui grande ameaça.

No avião foram umas duas ou três horas de aborrecimento ao lado de um francês. Que podia ser Russo ou Espanhol, não é isso que está em causa. Limito-me a tirar conclusões: pois se o cavalheiro tinha um jornal francês, uns óculos à francês e um caderninho de desenhos (tãão francês), evidentemente que só lhe posso chamar Francês. Se é típico ou não, já não posso garantir, mas o certo é que o indivíduo pediu uma sopa de tomate. Em primeiro lugar, nem que estivesse doida de fome eu pagava 4,5€ por uma coisa tão pequena; em segundo, a bodega do consomé criou um ambiente absurdo a sopa que me deixou enjoada. Sem ligar ao preço, ainda pensei comprar um Queijo da Serra (amanteigado) e umas tostinhas de trigo, só para me vingar.

Aterrámos em segurança e com dez graus a menos na temperatura. Tirei a minha bandeira de Portugal da mochila, dei-lhe dois nós e pus aos ombros, numa preparação para ser recebida pelo cartaz da minha irmã.

26-01-2010

Sem queixas de jetlag (isso são mariquices) acordou-se relativamente cedo, para ir passear e fazer um shopping-zinho. Na minha maior discrição fui aos saldos, revirar os últimos artigos marcados com autocolante vermelho, de 1 a 3 euros. Sem fazer o mínimo esforço de combinação de cores, acabei por comprar um barrete laranja (por necessidade), uma mala rosa (por piada) e um lindíssimo chapéu roxo (por palhaçada).

Da parte da tarde fomos ver o Atomium, só porque a senhora minha irmã tinha um ataque de caspa se não fosse ver aquela beleza. Eu não fui esquisita, e acabei por achar piada aos 15 minutos passados no jardim... porque a visita propriamente dita estava absolutamente fora de questão: se não dou 4€ por uma sopa, muito menos dou 6€ para andar de elevador!


De qualquer forma, fiz as figuras ridículos que quis! Viva a alegria e o Atomiuuuum! (aqui está a boina laranja).

Entretanto chegaram os chineses

com as máquinas apontadas ainda enquanto desciam as escadas do autocarro. Em 5 segundos já estavam a formar uma fila fantasticamente bem alinhada, depois desenrolaram uma grande faixa e lá ficaram a saborear os flashes uns dos outros.

Foi quando nós regressámos ao metro, em direcção ao centro. Percorremos as habituais paragens turísticas, calcorreando rua-sim-rua-sim (houvesse pernas para tal). Depois de passar pelo incontornável miúdo a fazer o seu chichi, fomos procurar descanso no Delirium. Delirium esse, conhecido (e não menos incontornável) pela lista de 2004 cervejas, todas ao dispor do cliente. Quando me chegou às mãos a lista, idêntica àqueles dossiers com as músicas no karaoke, iniciei a pesquisa alfabética nos países. A representar Portugal:


27-01-2010

Acima de tudo, o dia do Fado! Melhor ainda, porque fiquei bem esticada no colchão até as 11:00h; o que, se numa semana normal das minhas férias é madrugada, neste contexto foi um pedaço de céu. Devidamente acordadas, voltámos à estação de comboios, desta vez em direcção a Genk. Sem problemas, chegámos ao hotel e ainda tivemos tempo de sobra para visitar as redondezas: o micro-shopping-center, o lago atrás do hotel, as paragens de autocarro, etc. Por esta altura, já tinha elaborado a tese "Os belgas são macambuzios", e aproveitei o tempo livre para passar à prática o plano de animação. Contei, para isso, com o meu melhor aliado: o chapéu roxo de 3€. Sem uma gota de vergonha, saí muito airosa pelas ruas, de pala revirada, na esperança de que alguma daquelas criaturas cinzentas, se não soltasse uma gargalhada, pelo menos um sorrisinho. Missão concluída com (taaanto) sucesso!


Confesso que a minha reacção ao ver as fotografias foi bem mais expansiva que a das raparigas que choraram a rir dentro do autocarro, quando me viram passar - mas eu tenho desculpa porque nasci no canto da Península.

Para o concerto, ainda gastámos senhas de autocarro e, porque o condutor e esqueceu de nos avisar para sair, voltámos para trás (a pé) a distância de duas paragens até ao casino - e foi quando começou a nevar. Nem que tivesse caído granizo do tamanho de bolas de bowling, tinha valido o esforço. Como seria de esperar, o concerto da Raquel Tavares foi bastante para lá do muitíssimo bom. Feliz da vida, ainda consegui ter os CDs autografados (não pessoalmente, mas isso - para fã que é fã - são detalhes).


Regressámos ao Hotel aquecidas pelos "larai larais" do "Lisboa Antiga", à boleia de uma casal simpático que, à troca, aprendeu a palavra "castiço" (cas-sh-tiis-çuo) - Fado Castiço.

28-01-2010

A manhã ainda foi em Genk, com tempo para descobrir um café que apresentava, na mesma lista, cerveja e o típico Bolo de Arroz.



A tarde em Leuven serviu para matar a vontade de comer uma waffle bem feita. Entretanto, numa última visita às lojas, ficaram uns quantos artigos apontados para a próxima ou, quem sabe, para uma grande caixa a ser enviada de lá e recebida (por mim) na Avenida 25 de Abril.

29-01-2010

Às 20:00h começou a saga do regresso a casa. Por meio de comboio, autocarro, avião, metro, comboio e carro, estava em casa 12 horas depois. De mala às costas, como fui. Feliz da vida e com um barrete novo.

8 comentários:

fusci disse...

pra mim nada supera a sessão do lago.é todo um estilo "Audrey-Hepburn-meets-Pombinhas-da-Catrina" q ninguem, nunca, foi capaz.

E o delicioso cappuccino do STUK? E o trio de jazz (q n te apeteceu conhecer)?

Caramela disse...

O belissimo chapéu roxo é uma verdadeira pérola! Num dia em que te decidires a vir ao Sul, só tens autorização para vir se trouxeres esse belo chapéu enfiado na cabeça. Loool!

Anónimo disse...

Adorei o chapéu roxo! LOL
Divirto-me bastante a ler aqui os teus textos.

Beijos do teu admirador secreto (uhhh!!)

vice' disse...

fusci
a sessão do lago devia ser capa de revista! o cappuccino era efectivamente delicioso e o trio de jazz ... cheguei a vê-los de longe! ;)

Caramela
Não me digas que há controlo fronteiriço para o sul! o chapéu roxo é uma especie de visto, ou é mesmo só para teres desculpa para rir da minha pessoa? :)

anónimo
encantada. ainda bem qe gostas, volta sempre! ;)

Caramela disse...

Ora... Está mais do que claro que o chapéu roxo é ambas as coisas. Visto e para eu me rir muito! :P
Ao menos sou honesta... Loool!

Anónimo disse...

Ò mana 3D (fala o estúpido do BRUNO), o seu chapéu roxo e a sua mala rosa choque metem qualquer pessoa boquiaberta. Com uma paxemine branca: um MIMO!!!

vice' disse...

Ó mana?! Fico parva !

Com uma paxemine branca ficava um MIMO, espectáculo, digo! :) :)

Anónimo disse...

sempre muito viajada :P

Tatiana.