segunda-feira, 6 de julho de 2009

Isto das Férias.

Isto das férias tem muito que se lhe diga. Fica-se por casa, sem obrigações que não sejam estender e apanhar a roupa ou por a mesa e lavar a loiça. E este nem é o pior dos males. Quando há aulas logo às 8:30 da manhã, sempre se tenta dormir umas horas e tomar café (ou Red Bull, para o clube). Nas férias, dou por mim na deprimência de ainda estar de olhos estupidamente abertos nas madrugadas do “Toca a Ganhar” – mau, muito mau.

Outro aspecto negativo das férias é a completa inutilidade em que me transformo. Sinceramente, um ácaro faz mais que eu. Óviamente que, depois das matines televisivas quase até às televendas, só abro as pestanas à hora de almoço. É aqui que há a imundice de trocar o pijama (imediatamente) por um fato de treino pestilento, esfregar os olhos e orientar o cabelo – enquanto invento um ar super desperto para ir dar os bons dias aos que chegam do trabalho, depois de uma manhã extenuante de reuniões e concílios.

Sem paciência para aturar os stresses naturais de que faz alguma coisa pela vida, há que arranjar um bunker. Nisto, o quarto começa a ser a única divisão da casa. Liga-se o ar condicionado na potência máxima do frio e as gavetas passam a servir de frigorífico. Acumula-se roupa em todas as superfícies, porque se está de férias.

Actualizar a biblioteca do ITunes parece mais complicado que resumir o Memorial do Convento, e mesmo as fichas de História seriam uns óptimos aperitivos para as noitadas de Mentes Criminosas. Além disto, sem a escola, diminui drasticamente o nível de informação: não há boateira sobre quem é que usou os WC (com quem) para algo mais que o habitual chichizinho, não há CEFas a prenderem os saltos agulha no chão e há algumas semanas que as minhas Terças-Feiras deixaram de incluir Red Bull e a revista Maria.

A parte chata das férias é que não há nada a infringir. Durante o tempo de aulas, há que faltar uma meia dúzia de vezes para manter o nível de auto-estima e rebeldia nos píncaros. Agora, não há assuntos interessantes de véspera de teste. Já ninguém descobre que afinal não há Tigres, só Dragões – que a voar são patos. Mas que, quem voou mesmo foi o outro (o que é que ele há-de fazer?) bem se lixou, foi assado sem batatas e sem azeite.

Porque não tenho (obrigatoriamente) de escrever, de moderar a emissão de pescadas ou de usar vocabulário específico, deixo de o fazer – e este blog começa a ficar michuruca. Meia volta mais tarde e foge-me a mão da pena para a cintura, o pé do sapato para o chinelo e a cabeça daqui para ali. O coração, se for batendo assim, é sinal que ainda não tenho arritmia.

3 comentários:

Padeiro aka valentino rossi das rotundas disse...

Eu li isto tudo e concordo, mas não entendi muito bem a parte sobre a pestilência. No entanto, devo dizer que as férias são para descançar de toda a rotina escolar e isso inclui, óviamente, as cusquices!
Portanto, há que dizer que só não compro cavalos ao antónio faria da Silva Moura, porque não tenho dinheiro para isso. Mas, que posso eu fazer?

vice' disse...

Mas as cusquices alimentam a vida!! :) (Quem raio é o Silva Moura?)

Anónimo disse...

O que te faz falta nas ferias sei eu bem o que é , mas isso resolve-se só não cura para a morte.

Devias aproveitar esses momentos de preguicite e deitares todo o teu corpo na realidade, sentires a verdade e sere feliz :)

TatianaCadima