sábado, 24 de outubro de 2009

"Foge comigo, Maria!" é rapto.

Não que se relacione de maneira nenhuma com o título deste post, queria agradecer em público e para todo o Mundo, através do OdeioErvilhas-Africa e da RTP Internacional, a fantástica surpresa de ontem à tarde, quando vocês, minhas duas criaturas, me apareceram à janela com um fino e Nuggets do MacDonalds! xD Acabámos por passar a tarde a rir e a recordar aquilo que recordamos sempre que nos juntamos os 3. Ainda vimos o "Zona J" e comemos pipocas do Lidl - bem boas. Qualquer tarde com vocês é bem passada, isso é certo... Portanto, apareçam quando quiserem! ;)

Agora o título!
Hoje foi o tal congresso sobre género, media e não sei que mais. O que é certo, é que foi (não querendo ser mázinha) um conjunto de comunicações manifestamente feministas, algumas mais descaradas que outras, diga-se. Mas, dentro da luta das ladys, nem estava a ser nada mau. Gostei bastante da manhã dos dois dias.... a tarde é que contrariou a tendência. Ora, o assunto é então uma comunicação acerca da música rock e das mulheres, algo do género - não posso precisar, que não tenho comigo os papéis do resumo. Mas, avante! A oradora, uma lésbica não assumida e absolutamente frustrada da vida (cuja última relação amorosa deve ter sido na escola primária) veio apresentar um "estudo" sobre o tratamento conferido às mulheres nas músicas do panorama rock português e, aqui e ali, internacional. Até posso entender e concordar que a mulher é vista como um objecto, de acordo com algumas letras... Mas a música é como a poesia: não pode ser levada à letra!! Só porque o Rui Veloso diz que ele levou o seu anel de rubi e a namorada a um concerto de que ela não gostava e que ela, coitaaaada, se veio embora... isso não faz dele um bruto subjugador da vontade feminina, vitimizado pela namorada que o abandonou no concerto! Outro exemplo notável: "Se eu gosto de ti / Se gostas de mim / Se isso não chega / Tens o Mundo ao contrário". Mas, oh coisinha, onde raio é que tu lês aqui que o sujeito masculino está a obrigar a moça a uma relação ?! ME-DO!! O último, e que me levou a fazer um comentário no momento de debate, foi com a música dos UHF, que eu adoro adoro adoro: FOGE COMIGO MARIA, JÁ! Para a lady-que-acha-que-os-homens-são-mauzinhos, este pedaço de letra, por estar no imperativo, representa uma vontade suprema do homem, que quer » pode » manda » faz acontecer, subjugando a mulher a um papel passivo de receber ordens e acatar, como os chineses. Sinceramente, é demais. Em primeiro lugar, não podemos retirar uma expressão do seu contexto (musical, no caso); em segundo lugar, este tema tem um videoclip em que a dita moça (que vai ser raptada, só pode) está tãããããão contrariada por ir "fugir" (ela vai é ser raptada, já disse, pelo homem-do-saco)!



"Foge comigo Maria » quer queiras, quer não!
Para longe desta terra » ele vai apagar os laços familiares dela!
Meu amor, p´ra toda a vida » vai matá-la, é isso!
É a paixão que nos leva" » paixão?! ele tem um pistola!

Em conclusão, a querida que se assuma! Que compre umas meias às riscas, sei lá; vá por aí cantar Lara Li, Dina ou Lena d'Água a plenos pulmões! Há todo um Mundo a cores para apagar essa frustração! Se ajudar, que ouça BeeGees ou dance Kisomba, desde que deixe o Rock Português longe desses acessos de fúria!

Paz!!

3 comentários:

Inês disse...

revolta-te mariana!

vice' disse...

hahaha ! Quase que houve puxões de cabelos ! xD

In disse...

:p e nao sacar a senhora da pistola, tiveste tu muita sorte!