segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Classe da São Miguel

O trabalho de Rádio do meu grupo é sobre os programas da manhã. Uma reportagem de 10 minutos (mais 5 de tolerância), com entrevistas a uma rádio universitária, uma regional, e duas com emissão nacional mas bastante diferentes. Ficaram escolhidas a RUC (Rádio Universidade de Coimbra), a RSM (Rádio São Miguel, com emissor no distrito), a Rádio Comercial e a TSF. Por ser a única que consegue ouvir a São Miguel ao fim-de-semana, fiquei com esse encargo. Eis um resumo dos contactos efectuados, com vista à gravação da entrevista para o trabalho.

Dia 1,
Retirar toda a informação possível e imaginária do site e analisar tudo muito bem. Enviar um mail a explicar em detalhe o trabalho e com a identificação do grupo. Adiciona-se o pedido de entrevista por telefone e a gravação da mesma. Tudo usado única e exclusivamente para o trabalho (aliás, para que outro fim poderia querer a entrevista? mandar as respostas para a Maria e comprar a capa?).

Dia 2,
Como não recebi resposta ao mail, voltei a mandar o mesmo. Liguei para o contacto no site, supostamente o da secretaria. Ninguém atende - durante todo o dia.

Dia 3,
Finalmente alguém atende o telefone! "Bom dia, Escola de Condução do Alto de não-sei-quê". Como?? Este contacto não é da Rádio São Miguel?? "Ah, o número é o mesmo. Diga, diga". Voltar a explicar tudo o que ia no mail, desta vez para a secretária (e possível professora de código da estrada). Entrevista garantida, gravação autorizada, voltar a ligar no dia seguinte às 11h.

Dia 4,
Afinal as garantias da véspera não estavam assim tão seguras. A produtora/jornalista/locutora das manhãs afinal não podia/queria responder. "Ela não quer assumir a responsabilidade de lhe responder às perguntas, até porque nem sabe o que é que a menina quer saber!". Como se lhe fosse perguntar quem matou o Kennedy. Nem com a promessa de enviar as questões por e-mail a senhora cedeu. A única hipótese era ligar ao "Patrão" (será o dono da Escola de Condução ou o Director da Rádio?), às 15:30 do mesmo dia. "Mas olhe que ele nem sempre vem cá trabalhar, pode ser que já não o apanhe cá". E assim foi: liguei as 15:30h ainda não tinha chegado; liguei às 16:15, tinha acabado de sair. Depois de uns minutos de hesitação, eis que aparece o contacto pessoal do Boss. Liguei e fui ignorada durante todo o tempo em que apresentei o grupo, o trabalho e o pedido. Pelo meio ainda tive direito a um "oh Zé, passa-me a porra das chaves!" e meia dúzia de "sim-sim, pois-pois". No final da minha exposição, segundos de silêncio (enquanto ele percebe que eu já me calei e aproxima o telemóvel da orelha). E, muito indignado, sai-se com um "Oh menina, isto não é assim! Pensa que isto é a casa da tia?". E eu, ainda sem perceber: "desculpe?". Afinal, aquilo não era mesmo assim: tinha de enviar um e-mail a apresentar o grupo e o trabalho + um e-mail com todas as perguntas + um e-mail com o porquê de querer entrevistar alguém da Rádio São Miguel + um mail com a explicação da necessidade de gravar a entrevista e garantias de que a gravação era apenas para o trabalho. E depois era esperar que eles na próxima semana analisassem o pedido, e ainda tinha de voltar a entrar em contacto. E quando eu digo que até já mandei mail, recebo um "isso não me interessa para nada, não é esse endereço". E finjo que aponto o correcto, para depois desligar a chamada e dizer 'FUCK YOU' (em português de Portugal) no máximo do meu volume.

Dia 4 - após São Miguel
Primeiro liguei à Ritinha, para poder insultar os acima referidos. Depois decidi mudar de rádio e virei a pesquisa para a Popular de Soure. Em 10 minutos estava a ligar para o número que estava no site, para ser quase imediatamente atendida por uma funcionária da Administração - da Rádio, não de um Talho, Padaria ou Loja de Ferragens. Volto a introduzir o assunto e, antes de lhe dar espaço para passar a chamada, conto toda a história com a São Miguel. E ela, muito compreensiva, "Pois, realmente. Foi uma grande falta de delicadeza." Desliguei a chamada na esperança de que, pela primeira vez no dia, alguém cumprisse o prometido: entrar em contacto com o Produtor das manhãs e ligar-me depois. E ligou, nem passados 5 minutos, porque o indivíduo estava numa reunião mas, se eu não me importasse, podia fazer a entrevista a um jornalista que trabalha durante as manhãs. E, depois de me deliciar com a música do atendedor durante uns segundos, recebo um "Boa Tarde" numa voz quente de homem da rádio. E penso: começo a gostar deste trabalho.

E foi assim que, depois de uma "grande falta de delicadeza", Mariana Pardal conseguiu 7 minutos de entrevista com a Voz. Fez-se justiça!

P.s. Queridos da São Miguel, não posso estar senão eternamente grata pela vossa colaboração. Fiquem sabendo que vos eliminei do carro da minha mãe e do rádio da cozinha. Nunca mais irei sintonizar 93,5. Rádio Popular de Soure, eis a vossa nova fã.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

terceiro 4º dia.

Deixei-me dormir toda a manhã, só abri os olhos quando o sol ficou mais forte que a cortina. A medo, escorreguei da cama e contemplei o caos do meu quarto. Primeiro pensamento do dia: "tenho que arrumar". Aspirei tudo, sem ver que o cabo estava enrolado na cadeira. Parti uma caneca - que estava onde não devia. Depois lavei a cara e sentei-me ao computador para trabalhar. Esqueci-me do almoço e, quando me lembrei, já a cozinha estava nojenta - mesmo para atum com massa ou sandes de fiambre.
Depois a minha mãe veio de Montemor para me trazer um aquecedor e passou no Mac para me trazer o jantar. Tudo porque no domingo, quando fizeram falta, não estiveram. Mas sem ressentimentos. Pela tarde, a Bárbara apareceu desgostosa, mas acabou por sair rápido para resolver o assunto. Ainda nem sei se ficou resolvido ou não. Fiquei com a Patrícia a ver o extra da Casa dos Segredos, já com a companhia do aquecedor que veio lá de casa (da minha casa).
O trabalho de Rádio foi pelo cano. Ninguém me atende para as entrevistas, há pouca informação na net e tenho que aturar um programa da manhã chamado "Hora do Camionista". O momento mais produtivo do dia foi uma carta. Escrevi uma carta, sinto-me gente importante. Planeio, agora, deitar-me a ver a Passione ou a novela da TVi - que tem uma miúda a fazer papel de histérica. Aliás, um bocadinho mais histérica que as outras todas, só isso.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CF 1139

Hoje é o 4º dia. O convívio tem três, mas o caminho nunca acaba antes do 4º. Ontem, no encerramento, dizia, a tremer ao microfone, que senti a alegria e as lágrimas, as dúvidas e algumas respostas. Mais que isso, senti a certeza de uma amor que se vive em cada abraço, em cada mão no ombro e em cada gargalhada. Ficou por fazer o pedido de que este 4º dia (que são todos, de hoje em diante) sejam cheios de tudo aquilo que ficou condensado em 3. Fora daquela casa, nada será tão fácil - mas se fosse fácil qual era o interesse? E o caminho foi feito para andar, não para correr sozinho. Hoje, saí de casa de manhã e fui à faculdade. Ao fim da tarde passei na baixa e comprei uma agenda para 2011. Dia 9 de Janeiro, primeiro Encontro.

"Vai pelo mundo mostrar a tua herança
Sê conviva da paz e do amor,
Nesta terra brotará nova esperança,
Somos povo, a festa do Senhor!

1. Vem, Senhor, dá-nos tua mão
Tua luz na noite se faz da
Teu amor alegra o coração
Teu caminho é fonte de alegria

2. Somos jovens, profetas dos céus,
Da paz, da palavra que renova
Anunciamos a Festa de Deus
Levamos connosco a Boa Nova"

Convívios Fraternos
nº 1139
'este é de imensa qualidade!'

sábado, 20 de novembro de 2010

é natal, é natal, lailai lai ra laaaai

Adoro o Natal. Sou doida por esta algazarra toda: as luzinhas, pinheiros, gorros, fitas e calendários de chocolate. Desde há duas semanas que estou (quase a viver) numa Venda de Natal. A minha equipa do voluntariado precisa de dinheiro, então resolvemos arranjar mantinhas e compotas para vender. Tem sido o auge! Papo os turnos todos, das 10h às 20h e só com uma pausinha para almoçar. Todo o santo dia passa música de Natal nas colunas - seleccionada pelo meu excepcional gosto apurado para temas natalícios. Acordo sempre cedo, vou para o banho já a assobiar o 'Baby it's cold outside' - nem me custa sair da cama as 8h, como é milagre. Às 9.45h estou a tomar café no Brasileiro, junto à Venda, e entro à hora certa. Tirando as quartas-feiras de manhã, se na terça à noite tiver havido karaoke.
O essencial da questão é: estou completamente no Natal! Preparada para ficar maravilhada com a (sempre) emocionante performance do Coro de Santo Amaro de Oeiras, suas roupinhas com gola debruada e aquela versão inesquecível do 'A todos um bom Natal!'.
TVI, deixa a Casa dos Segredos e começa a emitir Galas de Natal semanais!

domingo, 7 de novembro de 2010

segunda-feira há vira.

O trabalho de rádio tem as suas vantagens: por ouvir emissões e emissões de 92.0 (Rádio Amália) aparecem algumas pérolas, uns fadinhos jeitosos de se conhecer. Daí a aturar Carminhos e Mísias vai um longo caminho, Jesus! Tenho passado bons momentos a anotar as dedicatórias dos Discos Pedidos - nesta rádio, chamados 'Senhor Fado'. Logo no primeiro dia ligou a Dona Otília que, com 70 anos, prefere ouvir e emissão na internet mas, sempre que sai à rua, leva a Amália no telemóvel porque a filha pôs aquilo de modo que desse. Uns cinco minutos depois, era o Artur "mais conhecido por filho do Chico do peixe" a pedir um fado qualquer. E quando eu pensava que já não havia nada melhor, eis que uma voz de senhora do mercado deixa encomendado o fadinho e avisa que não vai deixar beijinhos para a Elvira Russa porque ela é uma bandidona que a deixou sozinha no outro dia e que no fim-de-semana vai levar porrada! Não há beijinhos nem para essa nem para a outra amiga, só para o bairro da Boavista - "qu'é um ganda bairro!"
E do nada, sem pedido nenhum, aparece a Maria da Nazaré a cantar qualquer coisa como "ser Fadista é dar a mão à saudade (...) ser Fadista é destino que se perdoa / oração à fé de Lisboa / ser Fadista é ser Português". E é quando eu me lembro que a vi ao vivo na Casa de Fado, quando fui a Lisboa - e era uma pessoa financeiramente feliz. Agora, fados só pelo computador (nem pelo telemóvel, como a Dona Otília). O chato é que segunda-feira isto tem de estar pronto. E eu não me importava nada de esticar o prazo, pelo menos mais uns meses.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Porto - Brussels (Charleroi)

Fui imprimir os bilhetes da Ryanair ao centro de cópias para estar tudo bem legível. Tinha a roupa toda escolhida e a mala pronta. E na véspera recebo um e-mail a dizer 'o seu voo foi cancelado'. Enquanto os Franceses não rebentarem com a porra do país, ou forem à tromba ao Sarkosy, os aviõezinhos não levantam. E à custa dos controladores aéreos andarem a brincar às greves, eu é que me lixo e fico em terra. As alternativas eram, basicamente, gastar o equivalente a 3 mesadas e implorar aos céus para que esse voo também não fosse cancelado.
Que se danem todos, um dia vou ser estupidamente rica e comprar um avião. E aí, Francius do caraças: kiss my ass.

Até pode soar muito mal, mas há alturas em que odeio o direito à greve.

domingo, 24 de outubro de 2010

go tell it on the mountais

Fiquei danada quando o despertador tocou às 9h. Mas isto hoje não era sábado? Porra. As 10h já estava no Senhor Doutor, de onde saí às 13h, directa para o almoço. Rica ementa: odeio jardineira (têm ervilhas, qual é a dúvida?). Depois de andar a brincar com elas no prato (a fazer smiles e outras criancices) declarei fim ao primeiro prato e saltei da fruta para o chuveiro, para um duche quente. O secador de cabelo dá sempre sono, estou ali mais de meia hora a aquecer o ar - cabelo, zero. Correr escada acima (e escada abaixo, porque deixei as folhas para trás), escolher o repertório da noite e imprimir as fichas para as aulas da tarde. Isto tudo numa hora, ou assim. As 16:38h estava a chegar (atrasada) à sede da Filarmónica para dar a aula de flauta à miúda - que ainda nem tem flauta. Só a minha infinita paciência! Depois, 5 minutos de intervalo para respirar e alinhar os chacras. Com o espírito muito mal aliviado, subi as escadas e lá fiquei uma hora com as crianças, na aula de formação musical. O teste diagnóstico era (quiçá) muito complicado - ficaram a olhar para mim tipo boi-palácio.
Às 18:30h fechei as portas, avisei na secretaria da minha ausência por motivos de visita à irmã que está na Belgique e segui em direcção ao Chinês. Já tinha comprado o tecido de manhã, a caminho do Senhor Doutor, portanto só faltavam dois pares de collants azuis, para as minhas caloiras usarem no cortejo. Entretanto, já o Bruno estava a ligar - e a aparecer -para irmos ao Inter fazer umas compras (basicamente, o jantar!). Com 3,50€ de sandes, batatas, fiambres e derivados, pastéis de nata e coca-cola ficou feito o manjar. Do Inter fomos para a Casa Paroquial, supostamente arrumar o salão e preparar o espaço para a reunião das 21h. Acabámos por acender a lareira, mudar os sofás e jantar na mesa do Padre. Nisto já eram horas de ir apanhar a boleia para São Silvestre - porque fomos contratados para ir animar uma festa de aniversário. No caminho, apanhámos o terceiro elemento: a Susi. Uma entrada triunfal e tudo muito emocionado com os nossos dotes vocais e instrumentais. Ficámos nisso até à 1h da manhã - depois pagaram o serviço e trouxeram-nos de volta a casa.
Agora, finalmente, estou na cama. A preparar as folhas com os cânticos para amanhã - e a ouvir músicas de Natal de qualidade duvidosa. Com este frio já começa a apetecer.

(dizia o prof. que a vida de jornalista é muito stressante, é andar sempre a correr de um sítio para outro e gostar muito daquilo que se faz. eu já estou em estágio - e até me pagam, mal ... mas pagam)